E me disseram: “Aguente firme!”

É sempre um sentimento de perda que pelas manhãs vai crescendo dentro de mim. Perda pelos amigos que passaram, pelos amores que desvaneceram, pela família que se desestruturou e pelo tempo que lá fora é cada vez mais cinza, mais metal e tristeza.

Pela janela do meu quarto percebo o caminhar das pessoas, suas falas, até mesmo suas angústias posso sentir: na pressa dos pés, na cabeça prostrada quase à altura do umbigo buraco na barriga murcha de cansaço e comidas rápidas, nos pivetes pardos de sujeira e careados de crack até o cérebro.

Daí, ontem mesmo, abri as comportas de água turva em minha cabeça – essa mesma cabeça que um dia amou, foi amada, desejou e sonhou – e escutei, de um dos poucos amigos que me restaram: “aguente firme!”. Aquela coisa do REM: “hold on, hold on”, infinitamente holdoniando. Foi, talvez, uma espontaneidade que saiu da boca desse amigo, coisasquesedizemquandonaohanadamaisadizer. Mas sei que estou confortado. Em algum lugar de mim vê-se um sorriso-criança.

_________________________________________________________________________________________

Nota aos leitores: Desculpem a excessiva literaturização do texto. Não sei, “hoy estoy raro”. Mas daí, do texto – e dessa coisa de “literaturização” – se pode sacar muita coisa sobre o peso desse sentimento que quase-amassa nossas cabeças cotidianamente.

Anúncios

~ por chlucaslima em abril 7, 2010.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: