Religolous Guei

Vi, no período em que estive de férias em Montevideo, o filme-documentário americano apresentado pelo comediante e formador de opinião Bill Maher, apontado pela Associação de Comediantes Americanos como o 36º Melhor Comediante em uma lista de cem seletos, “Religolous”, um sensato filme sobre a insensatez das religiões.

O documentário é incrível. Perdão pela palavra escolhida, já que “incrível” ou impossível de crer é a tenacidade com que milhões e bilhões de pessoas pelo mundo inteiro se apegam a crenças muitas vezes (pra ser bonzinho!) racistas, homofóbicas e geradoras de outros ódios e incoerências. O filme mostra o quanto de incoerência e estupidez existe nas mais diversas crenças religiosas ao redor do Planeta, chamando a atenção para o fato de que, muitas vezes, ações que deveriam ser pautadas pela racionalidade e pensamento crítico são “inspiradas” (veja-se Bush Filho, por exemplo) por revelações e sinais de deus.

Esta produção me fez pensar acerca das chamadas “igrejas inclusivas”, já alvo de matérias de TV e revistas de diversos segmentos, como Super Interessante e DOM. Estas igrejas pregam um cristianismo “cor-de-rosa”, isto é, uma maneira mais ligth do aquelas seguidas pela maioria cristã ao redor do mundo. A partir disso umas quantas questões se levantam, por exemplo, como conciliar o cristianismo evangélico, em sua essência homofóbico, com a orientação sexual homossexual? ou, como explicar a gênese do mundo, calcada esta no relacionamento heterosexual Adão-Eva, uma vez que o modelo homoafetivo aí não se enquadra?

Uma saída menos traumática, a meu ver, é a sugerida pela Igreja da Comunidade Metropolita, Metropolitan Community Church (MCC), denominação cristã americana fundada na década de 1960: um cristianismo mais social, militante, direcionado ao combate às opressões de gênero, etnia e orientação sexual, entre outras, praticamente suprimindo o caráter proselitista das demais denominações cristãs, que, supostamente, estariam seguindo as ordens do Cristo, chamado por elas Jesus, de “ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura”.

Resta-nos, como diz Bill Maher, a dúvida, ato que, segundo ele, é mais “humilde”, num mar de arrogância religiosa, onde ganha quem mais barulho faz e mais pessoas pesca. Não sabemos se foi deus Iaveh (Jeovah), Alah, Kirshna, ou seja lá quem ou que criou, amassou o barro, soprou as narinas, fez churrasco da costela de Eva; o que sabemos, e isso sabemos com certeza, é que o simples fato de denominar uma igreja “inclusiva” ou “de inclusão”, não é suficiente. É preciso desmistificar o cristianismo.

Carlos Henrique Lucas Lima

Escritor e Tradutor.

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~ por chlucaslima em março 20, 2010.

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